Quase

A neutralidade inquietante do vocábulo ‘quase’.

O limiar entre o tudo e o nada do ‘quase bati o carro’, ‘quase passei no vestibular’, ‘quase acabamos o nosso longo relacionamento’…quase. Cinco letras que ao lado uma da outra indicam aquele pequeno pedaço de sabe-se-lá-o-quê que por razões desconhecidas impediu que algo nos acontecesse ou que de algo nos apropriássemos.

Ando com uma mania de dizer por aí que sou quase jornalista. Quase porque minha faculdade ainda não está concluída, porque sou repórter estagiária e não apenas repórter, e porque ainda carrego na bagagem um tanto considerável de inexperiência e temor. 

O ‘quase’ tem se apropriado de mim. Ignora minha saídas pela tangente e minhas oportunas omissões de sua existência.

Um quase que me paralisa em tantas oportunidades, me fazendo retrair e refletir sobre meia dúzia de grandes bobagens.

Cinco letras e lá se vão todas as minhas últimas noites de sono. Ou quase todas elas.

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