É domingo

Gosto muito quando sentamos no gramado do parque para conversar. Mesmo que não digamos coisa alguma. É no fluir do silêncio que falamos sobre sentimentos que guardamos dentro de nós como em caixas esquecidas num sótão empoeirado.

É agradável o enlace dos teus dedos nos meus enquanto contemplamos o movimento incessante das crianças que são perseguidas pelos pais aflitos naquela grama infinita. Você beija o canto dos meus lábios quando ouve o despertar do meu sorriso. Aperto o laço dos nossos dedos na tentativa de não deixar nossa sintonia escapar.

Largo sua mão e escrevo. Confesso meu amor por você em bilhetinhos. Conto o que sinto em microcapítulos. Você gosta. Diz que fica curioso pra saber o que virá depois. Me revelo aos poucos. Gosto do barulho do deslizar da caneta sobre o papel e do seu entusiasmo em montar aquele quebra-cabeças.

Eu só tinha três palavras pra dizer o que sentia. Tão pouco.

Te faço carinho na palma das mãos com as pontas dos meus dedos. Leves movimentos circulares. Você sente um pouco de cócegas. ‘É aqui que você está, não é?’ Eu sorrio. ‘Te seguro. Não te deixo cair nem machucar.’

E tocou meus lábios com os seus. É domingo. Temos uma semana inteira pela frente.

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