Festa no Covil, de Juan Pablo Villalobos

Soube da existência de ‘Festa no Covil’ lendo o blog da Companhia das Letras [ http://migre.me/7Yylf ]. Nunca antes tinha ouvido falar no escritor mexicano Juan Pablo Villalobos. Depois de uma googleada descobri que  ‘Festa’ é seu primeiro romance.

Me apaixonei pela capa do livro, devo dizer. Foi ela que me fez procurar por ele quando fui à livraria. De perto era ainda mais bonita do que na foto. O título e as ilustrações da capa estampavam em alto-relevo um fundo laranja bem vivo. ‘Festa’ cobrava pouco menos de 25 reais pra conhecer minha estante. Folheei, li três ou quatro trechos. Se tratava de uma história narrada por uma criança. Lembrei de ‘Extremamente Alto e Incrivelmente Perto’, um dos melhores livros que li no ano passado e que é relatado por Oskar, um garotinho prodígio. O paralelo com outra boa leitura era o elemento que faltava para levar ‘Festa no Covil’ ao caixa. Comprei.

Tochtli é a voz narrativa da história, um garotinho cativante filho de Yolcault, um dos chefões do narcotráfico no México. A singularidade de Tochtli se mostra no vocabulário curioso que ele dispõe para narrar a história. Palavras como ‘sórdido’, ‘patético’, ‘fulminante’, ‘enigmático’, nefasto’ e ‘escrúpulos’ abarrotam os relatos do garoto que tem por hábito ler o dicionário antes de dormir. Tochtli mora com o pai, que não o permite que o chame desta forma, numa mansão de onde não pode sair ou ter contato com as pessoas que ali não habitem. Tudo isso em nome da segurança dos dois. Em razão da imposta clausura, o pai enche Tochtli de presentes, como forma de fazer da mansão um local atraente para ele. Os agrados para o garoto não têm limites. Ele possui de um quarto só pra abrigar sua coleção de chapéus a um leão e um tigre enjaulados no quintal. E deseja um hipopótamo anão da Libéria.

A genialidade de ‘Festa no Covil’ não está no enredo da história, mas o personagem que a conta. Na verdade, ao fim do livro até duvidei que ali estivesse sido de fato contada alguma história (isso se por história entendermos algo com começo, meio e fim). O livro é, na verdade, a visão de Tochtli sobre o mundo que o cerca, que por sua vez, não abriga absolutamente nenhuma característica que dialogue com o prosaico. ‘Festa’ é a voz inocente de Tochtli falando sobre sua própria solidão e incompreensão da realidade.

As menos de 100 páginas do livro não impedem que o leitor chame ‘Festa no Covil’ de uma grande obra.

Gostei bastante. Eis a prova de que ser seduzida pela capa de um livro vez em quando vale muito a pena.

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