‘Tanto Faz’ e ‘Abacaxi’, de Reinaldo Moraes

Reinaldo Moraes é bacana demais. Considero que poucas coisas são tão geniais quanto o escracho dos livros dele na literatura brasileira contemporânea.

Para além do cenário underground onde as narrativas se desenvolvem, dos personagens boêmios e da naturalidade com que o autor aborda temas como sexo e drogas, o aspecto formal do texto de Reinaldo é primoroso. Um texto com fortes traços de coloquialismo e aparente despretensão que não perde a característica de ser impecável. Moraes é um grande engenheiro das palavras. Sabe montá-las em frases e parágrafos com uma maestria especial.

As narrativas são fluidas e divertidas, facilmente o leitor estabelece uma relação de cumplicidade com as personagens das histórias. O livros são cheios de vida. A dinâmica é grande. Entretanto, curiosamente pouca coisa verdadeiramente substancial acontece nos livros. A sensação que se tem é que os personagens são guiados livres ao sabor do acaso. Tudo o que acontece não parece ter sido planejado pelo autor. É como os personagens tivessem vida própria. Uma viagem, um encontro, uma festa, um romance, e tantas outras situações cotidianas são narradas com tanta leveza e verossimilhança quanto a literatura é capaz de permitir. Até o título do livro, ao meu ver, reflete um pouco dessa aparente despretensão literária de Moraes: ‘Tanto Faz’.

O resultado do ‘Tanto Faz’ dito pelo autor é a saga do economista Ricardo de Mello, que ganha uma bolsa para passar uma temporada em Paris vivenciando a liberdade de não prestar contas a ninguém, inclusive ele próprio.

Conheci Reinaldo Moraes lendo ‘Tanto Faz’ emprestado de um colega de faculdade em 2006. Livraço. Nunca tinha lido nada parecido com ele. Em 2010 ou 2011 ganhei de presente ‘Pornopopéia’,  o último livro lançado pelo autor.

Dia desses, zanzando sem rumo pelas prateleiras da Livraria Cultura, descobri esta edição dois em um de ‘Tanto Faz’ e ‘Abacaxi’.

‘Abacaxi’ eu ainda não tinha lido. É a continuação de ‘Tanto Faz’, começa exatamente onde ele termina. Narrativa rápida, intensa. Gostei. Indico os dois, bem como ‘Pornopopéia’ para os interessados em atestar a genialidade Reinaldo Moraes que tanto falei aqui.

Ps: A revista piauí deste mês publicou um texto espetacular escrito por este de quem tanto falei neste post. ‘Por uma mosca morta meu coração balança’ é o título dele. Bonzão. Vale a pena a leitura. Quem quiser e puder adquirir a revista, o faça.

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