David Foster Wallace

Esta semana, mais precisamente no último dia 21, David Foster Wallace teria completado 50 anos de idade. Isso se ele não tivesse enforcado a si em dezembro de 2008.

Tive ciência da vida e das obras  do autor em 2010. Lendo informações aleatórias na internet vi bons comentários sobre ‘Infinite Jest’, um de seus livros mais aclamados e que ainda não tem tradução para o português. Muito me espantou o grande número de fãs brasileiros que esmiuçavam a obra de Wallace ainda nos originais em inglês e usavam adjetivos como ‘genial’, ”brilhante’ e ‘fabuloso’ para descrevê-lo.

O único livro de DFW em português é uma coletânea de contos intitulada ‘Breves Entrevistas com Homens Hediondos’, que comprei e devorei em poucos dias.

Devo admitir que minha primeira impressão de Wallace foi de um certo estranhamento. Achei o texto do grande gênio um tanto quanto pretensioso. Breves Entrevistas versa sobre relações humanas, histórias que o autor conta por meio de frases longas, cheias de múltiplas ideias. Detalhes são minuciosamente descritos. Enormes notas de rodapé ocupam praticamente páginas inteiras dos contos.

Li o livro com a sensação de estar dentro de um caleidoscópio. As informações, os estímulos, as cores, as sensações, as impressões, as conclusões, as ideias eram muitas. Não raro retornava a leitura de alguns parágrafos para processar a contento o concatenamento das frases de Wallace.  Diante de tantos estímulos, minha vontade era de sempre voltar atrás nas páginas do livro. Constantemente me deixava dominar por uma sensação angustiante de que poderia ter perdido alguma informação ou detalhe no mover daquele caleidoscópio de palavras. ‘Prolixo’, definitivamente,  é um bom adjetivo para definir o grande Wallace.

Precisei fazer uma releitura de alguns contos inteiros do livro para só então conseguir sentir a essência do autor. Foi então que finalmente descobri que o segredo para deslumbrar-se o texto do rapaz é compreender que seu brilhantismo singular é o aval que ele tem para que se expresse do jeito que melhor lhe convenha. Foi lendo, me angustiando, me perdendo nas linhas e entrelinhas dos contos que consegui sentir a profundidade da mente caleidoscópica de DFW. E então passei a achar que adjetivos como ‘genial’, ‘brilhante’ e ‘fabuloso’ na verdade são pouco para defini-lo. Wallace é incomparável.

O suícidio dele em 2008 deixou inacabado o romance ‘The Pale King’.  O livro, mesmo incompleto, foi publicado em inglês no ano passado.

A boa notícia é que podemos esperar o lançamento de edições traduzidas em português de ‘Infinite Jest’ e ‘The Pale King’. Tenho tentado, sem sucesso, controlar minha ansiedade.

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