‘Os Imperfeccionistas’, de Tom Rachman

Descobri ‘Os Imperfeccionistas’ por meio de um comentário feito pela minha amiga Rapha, que também é jornalista e leitora. Ela me disse ter lido bons comentários sobre ele e que queria comprá-lo.

Vasculhando informações na internet descobri que o livro era uma espécie de representação realista-cômica do cotidiano das redações de jornais.  Me interessei. Num acesso de olha!ainda tem um resto de salário na minha conta fui à livraria e comprei dois exemplares – um pra mim e um pra Rapha.  (O investimento feito na minha edição me foi ressarcido pelos meus pais como presente de aniversário, o que me permitiu comprar 1922 – A Semana que não terminou, livro recém lançado pelo jornalista Marcos Augusto Gonçalves sobre a Semana de Arte Moderna de 22. Em breve falarei dele aqui).

‘Os Imperfeccionistas’ despertou minha curiosidade desde a capa. Logo no alto, vê-se que o jornal The New York Times classificou o livro de Rachman como ‘espetacular’.

Este é o primeiro romance do jornalista americano Tom Rachman. O livro é divido em 11 capítulos que mais parecem contos, apesar de serem todos concatenados em um único enredo. Cada capítulo, intitulado como uma manchete de jornal, conta um pouco de um personagem da trama, seja ele jornalista, leitor ou dono da publicação. A maciça maioria dos capítulos é a história de algum personagem que trabalha no jornal escrito em inglês com sede em Roma, na Itália. O periódico está em circulação há muitas décadas e apresenta sinais de defasagem. Os anos 90 chegam trazendo consigo as novas tecnologias e as mídias sociais. O futuro é obscuro e incerto.

A história da criação e manutenção do jornal é contada ao fim de cada capítulo-conto em breves relatos de duas ou três páginas.

Os personagens são descritos de forma crua, defeitos e qualidades são delatados sem nenhum romantismo. Eles são em sua grande maioria apreensivos, ansiosos, inseguros, paranóicos e egoístas. Há o correspondente decadente, o obituarista desmotivado, a editora-chefe workaholic, o jovem repórter sem experiência,a redatora sozinha e infeliz, o editor-executivo viciado em informação, a diretora financeira seduzida pelo jornalista demitido, o herdeiro que arruína o jornal…a ideia é fazer um espelho das figuras que povoam as redações dos jornais no mundo inteiro.

‘Os Imperfeccionistas’ surpreende. Narrativa fluida e empolgante num enredo bem arquitetado, embora sem grandes surpresas. Rachman consegue rascunhar o jornalista típico em seu céu e inferno particulares sem ser piegas, clichê ou caricatural.

Bom livro.

Uma curiosidade: os direitos para transformar o livro em filme foram comprados pela produtora ‘Plan B’, do ator Brad Pitt, que contratou o roteirista Scott Silver (de ‘O Vencedor’) para adaptá-lo ao cinema.

Outra curiosidade: ‘Imperfeccionistas’ é uma palavra que não existe em inglês, tampouco em português. Um neologismo, um predicado do autor aos seus personagens que são perfeitos em suas imperfeições.

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