Enquanto o sono não vem

Tenho madrugadas insones há pouco mais de sete anos. Contabilizo que absolutamente todas as dos últimos cinco atravessei segurando a vontade de te ligar pra falar que às 3:27 sinto mais saudade da ruguinha que se forma logo abaixo do teu olho esquerdo quando você sorri do que senti às 2:52.

Ou então que hoje, enquanto caminhava no parque à procura de ideias que flutuam a esmo por aí, vi duas crianças correndo soltas e escolhi o nome das nossas filhas. Imaginei se você gostaria que uma de nossas meninas de chamasse Lia. A outra seria a Sofia, mas achei imensamente brega a rima dos dois nomes. Pensei em ligar pra você e perguntar a tua opinião, mas acham por aí que é inaceitável propor esse tipo de questão às 4:10 da madrugada.

Folheio alguns livros. Anoto num caderninho que preciso lembrar de pagar as fatura do cartão. Ligo o laptop e compro dois livros novos na promoção de um site. Imediatamente após digitar o número do cartão de crédito fecho os olhos na tentativa de ignorar a pilha de oito novos livros recém-comprados e ainda não lidos na minha cabeceira.

Desligo o laptop, apago as luzes, medito, bocejo, chamo um sono que não vem.

Observo o céu trocar de cores. Fecho as cortinas, me escondo em meio às cobertas, digito teu número no telefone.

Às 5:15 já é aceitável perguntar a você ‘Qual desses você mais gosta? Lia, Sofia ou Carolina?’

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