Meu menino,

Resolvi limpar nossa casa durante o feriado. Vi teias de aranha no canto de algumas paredes da sala de estar e decidi eu mesma retirá-las de lá. Você bem sabe que não confio plenamente na limpeza que Dona Ada faz.

Limpei os cantos das paredes e achei que os móveis precisavam de um polimento também. Procurei em todos os armários até me dar conta de que não tínhamos creme polidor em casa. Ao invés de ralhar com Dona Ada, fui eu mesma comprar o tal creme.

Nunca saio da nossa casa, meu menino. E o faço porque você assim me recomendou. Essa foi a primeira vez que ultrapassei os limites dos nossos domínios, por julgar ser uma situação de extrema necessidade.

Não estava preparada para o que vi. A dinâmica do mundo lá fora é grande, fiquei maravilhada. Nunca imaginaria que para além dos nossos muros houvesse tanto movimento, cor, luz, beleza, ou que lá fora estivessem tantas pessoas, tantos lugares, tantas situações.

Quando retornei, vi que havia esquecido de comprar o polidor dos móveis. Nossa casa me pareceu imensa, suja e sem graça.

Não tive mais vontade de limpá-la.

Sentei no chão da sala. Duas lágrimas despencaram pelo meu rosto sem que eu pudesse ou quisesse evitar.

Sinto vontade do mundo lá fora, meu menino.

Carinhosamente,

Tua menina.

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