‘Só Garotos’, de Patti Smith

Há tempos procrastinava a leitura de ‘Só Garotos’. Apesar da minha admiração pela cantora e poetisa Patti Smith e da curiosidade em conhecer sua autobiografia, sempre colocava um outro livro na frente dele.

O que posso dizer de início é que nas primeiras cinco páginas de ‘Só Garotos’ a única coisa que conseguia pensar era na razão de ter postergado tanto essa leitura. O livro, logo no começo, me tocou fundo como há muito nenhum outro conseguia.

Patti é sensível e apaixonada pelas possibilidades da vida. É movida pelo amor à arte e pelos seus sonhos e projetos. Dona de uma fé inabalável nas melhores surpresas cotidianas, ela me encheu os olhos e coração em seu relato.

Ela inicia a narrativa contando sobre sua infância, sua adolescência, seu despertar para a arte e sua ida a Nova York para tentar construir sua carreira como artista. Ela relata toda sua trajetória até a fama e seu romance com o fotógrafo Robert Mallethorpe, com quem conviveu durante vários anos e dividiu o amor pela vida e pela arte.

A relação de Patti e Robert é transcendente a toda e qualquer situação desfavorável. É transcendente até mesmo ao homossexualismo de Robert. Juntos os dois passam fome, lidam com a frustração um do outro de não terem seus trabalhos reconhecidos, amadurecem como criadores de arte, batalham empregos que lhes garantam a sobrevivência em Nova York e fazem amigos que os norteiam na busca pelo equilíbrio deles como artistas. Os dois são amigos, amantes, companheiros.

Foi com lágrimas nos olhos que me deliciei acompanhando o desenrolar da história de Patti e Robert, que de “só garotos” passaram a artistas notáveis em suas áreas.

A obra, vencedora do prêmio National Book Awards na cate­go­ria de não fic­ção em 2010, também se desdobra como um apanhado histórico da música da década de 70, e fala da relação que Patti teve com grandes músicos como Janis Joplin, Bob Dylan, Jimi Hendrix, além de ícones da literatura como Allen Guinsberg.

Percorri todo o livro em apenas dois dias e ao fim da leitura senti saudade. ‘Só Garotos’ é do tipo de livro que você engole as páginas de curiosidade para saber o desenlace dos acontecimentos e ao mesmo tempo lamenta cada página lida ser uma a menos para o fim da história.

Eis minha leitura mais marcante de 2012.

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