‘O filho eterno’, de Cristovão Tezza

Há tempos ouvia falar bem de ‘O filho eterno’, livro do escritor catarinense Cristovão Tezza que foi muito premiado nos anos de 2007 e 2008.

No entanto, só agora em 2012 tive o prazer de me deliciar com esta leitura. Adquirir este livro, por razões inexplicáveis, era algo que sempre ficava pra depois na minha lista de prioridades. Felizmente tive a alegria de ser presenteada com um exemplar dele pela Livinha, querida amiga e irmã de coração que não economiza demonstrações de carinho e dedicação.

‘O filho eterno’ recebeu os mais importantes prêmios literários nacionais  – Portugal Telecom (que apesar do nome é um prêmio brasileiro), Jabuti, São Paulo de Literatura e o prêmio Bravo!, além de algumas outras condecorações menores, mas não por isso desimportantes.

Este é o 12º livro publicado de Cristovão Tezza.  Nele é relatado a vida de um escritor iniciante sem rumo definido na vida e cheio anseios profissionais. Em meio a toda essa confusão pessoal dá-se o nascimento de seu primeiro filho, um garotinho chamado Felipe, que é portador de Síndrome de Down.

O escritor – curiosamente inominado – é um alter ego do próprio Tezza, que tem um filho com a mesma síndrome.

O relato do pai começa desde antes do nascimento de Felipe até o garoto completar 25 anos. Entre o nascimento e o amadurecimento dele, vários episódios de sua vida vão sendo descritos. São narradas de forma dolorida as dúvidas dos pais sobre como melhor educá-lo, o embaraço diante dos amigos e conhecidos com relação a condição do filho, a rotina dele na escola, os tratamentos de estimulação da coordenação motora que o garoto fará ao longo da vida, o sofrimento dos genitores diante de uma situação que não podem reverter ou fugir e a inclusão das muitas necessidades de Felipe na rotina  da família.

‘O filho eterno’ é um relato do mal-estar, vergonha, fragilidade, incerteza, insegurança, da confusão de sentimentos, do medo e do aprendizado de um pai que passa pela experiência de ter um filho diferente dos demais.

A escrita de Tezza muito me surpreendeu. O autor tem um texto maduro de leitura muito agradável. A prosa de ‘O filho eterno’ em nenhum momento é piegas, melodramática, hipócrita, superficial ou clichê. O escritor, com admirável maestria, orquestra as palavras de forma tal a produzir um livro saboroso, apesar de toda a temática densa que permeia a história.

‘O filho eterno’ é um livro que arrebata. Nele há muitos trechos dignos de grifo e lágrimas.

Ps: Para conhecer mais do Tezza, indico a leitura desta entrevista aqui. Curtinha, mas bacana: http://blog.meiapalavra.com.br/2008/12/04/10-perguntas-e-meia-para-cristovao-tezza/

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