‘O Torreão’, de Jennifer Egan

Jennifer Egan é ousada, para dizer o mínimo. Escreve uma ficção não óbvia, empolgante e inovadora.  Ela é autora do aclamadíssimo ‘A visita cruel do tempo’, livro que venceu o prêmio Pulitzer de Ficção de 2011, além do prêmio National Book Critics Circle Award do mesmo ano. (Resenhei ‘A Visita’ aqui: a-visita-cruel-do-tempo-de-jennifer-egan).

‘O Torreão’, mais recente livro da autora lançado pela editora Intrínseca, na verdade veio antes de ‘A Visita’. ‘O Torreão’  foi lançado em 2006 nos Estados Unidos.

A semelhanças de ‘O Torreão’ e ‘A Visita Cruel do Tempo’ são claras, mas não chegam a tornar os dois livros idênticos. Em ambas as obras Jennifer Egan criou uma narrativa hipnotizante que embaralha na cabeça do leitor os conceitos de ficção e realidade.

A escrita da autora norte-americana tem um certo caráter experimental. Ela não se prende a um gênero literário específico, parece sempre querer transpor os tradicionalismos da literatura. Em ‘O Torreão’, algumas horas o narrador é onisciente e em outras ele dialoga diretamente com o leitor.

No cerne da trama estão Danny e Howard, dois primos que mantiveram uma relação ‘arranhada’ durante a infância e que se reecontram na vida adulta, quando, a convite de Howard, Danny vai conhecer um castelo numa localização híbrida entre países europeus que é de propriedade de Howard. A intenção do proprietário é transformar o castelo em uma espécie de hotel-retiro, um local onde as pessoas ficariam sem comunicação com o mundo externo a fim de descansarem e refletirem. Em paralelo, a autora conta a história de uma oficina literária dentro de um presídio, ambiente onde os presos criam histórias de ficção.

Em razão da existência do castelo medieval cheio de histórias do passado a serem descobertas e vivenciadas pelos personagens, a atmosfera do livro  é de suspense. Dentre os que compõem a trama está ‘a baronesa’, uma velha senhora remanescente da linhagem da família medieval que habitou o castelo. Ela sozinha vive no torreão, uma espécie de refúgio de guerra do lugar, e acredita ainda ser a dona dos domínios, apesar de Howard a ter pago pela posse da propriedade.

A leitura prende. Isso porque Egan intercala as histórias e visões dos personagens, dá saltos no tempo e nas situações, confunde o leitor sobre o que é real ou sonho e conduz o relato ao fim com o mesmo fôlego do início do livro. ‘O Torreão’ é memorável.

Uma curiosidade: ‘O Torreão’ está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Peter Weir, que já dirigiu ‘O Show de Truman’ e ‘Sociedade dos Poetas Mortos’. A estreia do longa está prevista para dezembro.

Outra curiosidade: Jennifer Egan é presença confirmada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) deste ano. O evento ocorre entre os dias 4 e 8 de julho, em Paraty, no Rio de Janeiro.

Mais uma: Nascida em Chicago e criada em São Francisco, Jennifer Egan também é autora de ‘The Invisible Circus’, livro que em 2001 foi adaptado para o cinema e tem a atriz Cameron Diaz como protagonista. A autora escreveu também ‘Look at Me’, livro que foi finalista do National Book Award de Ficção em 2001. Egan também é autora de ‘Emerald City and Other Stories’ e ‘A Ruína’, sendo este último um best-seller nos Estados Unidos. Nenhum desses livros foi lançado no Brasil.

E uma última: Rafael Coutinho, filho do cartunista Laerte Coutinho, ilustrou a capa de ‘O Torreão’. Rafael também ilustrou a capa de ‘A visita cruel do tempo’. Ambas as ilustrações são belíssimas.

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