‘Como ficar sozinho’, de Jonathan Franzen

‘Como ficar sozinho’ é uma coletânea de ensaios do escritor norte-americano Jonathan Franzen, autor dos aclamados ‘Liberdade’ e ‘As Correções’. Publicados originalmente nos livros ‘How to be alone’ (2003) e ‘Farther Away’ (2012) e também na revista ‘New Yorker’, os ensaios são uma inserção do escritor na não-ficção tal como ele já havia feito com a publicação de ‘A Zona do Desconforto’, livro de ensaios lançado em 2008 no Brasil.

‘Como ficar sozinho’ é composto por 12 ensaios divididos em três partes: ‘A dor não nos matará’, ‘Como estar só’ e ‘Qual é a importância?’. Nos textos, Franzen transita por temas diversos e distintos, como tecnologia, relações familiares, sua amizade com o escritor David Foster Wallace (falei um pouco de DFW aqui: david-foster-wallace), seu sentimento ao ter um de seus livros selecionado para o aclamado Clube de Leitura da apresentadora Oprah Winfrey e o tabagismo.

Não li ‘A Zona do Desconforto’, portanto salvo alguns ensaios esparsos que li por aí (provavelmente na revista serrote www.revistaserrote.com.br), não conhecia Franzen como ensaísta. Confesso que ler um ensaio dele atrás do outro me proporcionou encantamento e empolgação que nenhum outro ensaio esparso que eu tenha lido antes provocou. A leitura de ‘Como ficar sozinho’ é, antes de mais nada, instigante.

Franzen ensaísta é tão espetacular quanto sua versão ficcionista (resenhei ‘As Correções’ aqui: as-correcoes-de-jonathan-franzen). Ele é simples, claro e direto. Cativa pela objetividade. Em alguns ensaios a sensação que se tem é que se consegue estar dentro dele, sentindo o que ele sente e até ouvindo o que ele pensa tamanha clareza com que Franzen expressa suas intenções. Nos ensaios ele também fala muito de si, de seus métodos de trabalho, de antigas paixões, de seu primeiro casamento, de sua paixão pelos pássaros. Franzen mostra em ‘Como ficar sozinho’ ser um grande narrador da vida real com a maestria literária de um grande ficcionista.

Os ensaios, a depender do teor, são bem humorados e leves. Alguns outros, como ‘O cérebro do meu pai’, que inclusive foi publicado na revista piauí de junho (você pode lê-lo aqui: o-cerebro-do-meu-pai), são tocantes sem carregar na dramaticidade.

‘Como ficar sozinho’ é daqueles livros que dá saudade. Que ao fim de cada ensaio sente-se dor por não se conseguir conter a proximidade do fim da leitura.

Meus ensaios preferidos foram ‘Qual é a importância?’ e ‘Examinando cinzas’.

Uma novidade antiga: Franzen esteve aqui no Brasil participando na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que ocorreu entre os últimos dias 4 e 8.  Sua mesa, ‘Encontro com Franzen’, teve uma repercussão um tanto quanto negativa. Não atendeu às expectativas e por muitos foi classificada como ‘morna’.

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