‘Vermelho Amargo’, de Bartolomeu Campos de Queirós

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‘Vermelho Amargo’ tem 65 páginas que versam sobre perda de forma dilacerante. Em prosa poética, o escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós faz um relato autobiográfico de um garoto que perdeu a mãe e tem que administrar as memórias dela a povoar-lhe a vida.

Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2012 na categoria ‘Melhor livro do ano’, ‘Vermelho Amargo’ é fruto de observação. Observação de si e dos outros. O garoto órfão procura dentro de si a narrativa sobre a perda e a falta da mãe morta enquanto registra também os comportamentos dos que estão em redor. De seus irmãos, relata que um come vidros pra lidar com a ausência. Já a irmã tornou-se uma bordadeira obcecada. O pai, dado ao álcool, casou-se novamente. A nova esposa, por sua vez, não tem o mesmo cuidado que a mãe no preparo dos alimentos, tampouco com os enteados. É nesse cenário que o garoto vê as formas de cada um em lidar com a dor e a perda até que se retirem da casa onde sempre viveram em busca de alargar os horizontes da própria vida.

A leitura se faz em dicotomias. Se por um lado a leveza da poesia em forma de prosa conduz o leitor rapidamente à última página do livro, por outro, o conteúdo da narrativa tem dor e angústia. No entanto, a sensibilidade do autor e a minúcia no encaixe de cada palavra torna a leitura prazerosa e única.

A narrativa é feita de metáforas. O garoto fala de lâminas, facas, punhais, pontas, vidros, na descrição dos acontecimentos rotineiros como o preparo das refeições pela madrasta de forma a simbolizar rupturas e feridas.

Esta é uma das minhas mais marcantes leituras deste ano. Pela sensibilidade no trato da densidade de sentimentos e pela minúcia com que foi construído todo o texto.

A edição da Cosac Naify é um espetáculo à parte. A capa do livro é áspera, tem cheiro e cor de livro antigo, algo como um diário de menino descoberto nos baús de um sótão empoeirado. A edição fininha e pequena, tem o peso edição para coleção, de tão bonita e bem arquitetada.

Bartolomeu Campos de Queirós possui ao todo mais de 40 obras publicadas. Alguns de seus livros tiveram traduções em inglês,  espanhol e  dinamarquês. O escritor morreu em janeiro de 2012, aos 67 anos.

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