‘O céu dos suicidas’, de Ricardo Lísias

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Conheci Ricardo Lísias lendo ‘Tólia’, texto selecionado pela revista Granta como um dos 20 escritos pelos ditos Melhores Jovens Escritores Brasileiros no ano passado.  A história de um autor que abre mão da literatura como profissão e se volta para o xadrez profissional me encantou pela escrita ritmada que versou sobre inadequação e silêncio. O texto tanto me aguçou a curiosidade que logo procurei mais sobre o escritor paulista até chegar em ‘O Céu do Suicidas’, quinto livro escrito por Lísias e publicado em 2012.

Adianto-me dizendo que ‘O Céu dos Suicidas’ é daqueles livros que, depois de devorado com gulodice em pouquíssimas e prazerosas horas, você tem vontade de presentear todos os amigos queridos com ele. Lido ainda no ano passado, ‘O Céu’ foi a leitura mais entusiasmada que fiz nos últimos momentos do ano e trouxe consigo uma enorme vontade de ler as outras publicações de Lísias, especialmente ‘O Livro dos Mandarins’, publicado também pela Alfaguara e sobre o qual li bastantes achismos positivos sobre.

Falando sobre o miolo de ‘O Céu dos Suicidas’, nele Lísias narra a história de um especialista em coleções que vive um momento de descompasso emocional após o suicídio de um amigo. Professor universitário, o especialista em coleções também se chama Ricardo, de forma a denotar um caráter autobiográfico à história.

O ritmo de ‘O Céu’ é impressionante. Capítulos curtíssimos, de página e meia,  trazem consigo a história de Ricardo, a relação dele com a família, a profissão e os amigos e uma viagem a Beirute. É nesse contexto que Lísias toca nos temas de busca por identidade e culpa.

A densidade dos temas não tira a fluidez da história, e apesar de certos momentos de angústia, não há a mínima vontade do leitor de largar o livro.  O trunfo de Lísias está na construção objetiva do texto, nos cortes milimetricamente feitos durante os momentos de clímax na história e no enredo disposto de forma a aguçar a curiosidade pelo desfecho do destempero emocional de Ricardo e as respostas para as questões que ele faz sobre si, a vida e a morte durante o livro.

‘O Céu dos Suicidas’ é obra para ser relida, presenteada e aplaudida.

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