‘A vendedora de fósforos’ de Adriana Lunardi

cultura

 

 

Confesso que peguei ‘A vendedora de fósforos’ da estante da livraria sem esperar muita coisa. Nunca antes havia lido algum dos livros da escritora catarinense Adriana Lunardi, mas ler na internet meia dúzia de resenhas positivas sobre este me fez trazê-lo pra casa sem muita hesitação.

‘A vendedora de fósforos’ tem no conto ‘Den lille pige med svovlstikkerne’ (‘A pequena vendedora de fósforos’), do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, sua inspiração. Mas as semelhanças param aí. Não há na história de Adriana o viés romântico do conto de Hans Christian Andersen.

Se no conto dinamarquês a menina pobre sonha com uma vida melhor, no livro de Adriana a narrativa gira em torno de uma integrante inominada da família Anjos que reconstrói a história da família a partir de um telefonema recebido que lhe informa mais uma tentativa de suicídio da irmã.

É juntando as peças de um quebra-cabeça de forma aleatória e anacrônica que a narradora fala de si e dos seus. A história é densa e exige concentração do leitor não só para que se situe no tempo da narrativa mas também para perceber a profundidade do que não é dito. É por meio de palavras e também do silêncio das entrelinhas que Adriana Lunardi versa sobre as cicatrizes de uma família marcada pelo isolamento e pelas fugas. As páginas que se esvaem ligeiras trazem também as peculiaridades das duas irmãs depressivas, dos efeitos da solidão e do gosto pela literatura presente na vida das duas. Delineia-se também o cenário velado de competitividade entre as irmãs, que por toda a vida travam pequenas batalhas inúteis entre si.

O unir das peças do quebra-cabeça da família Anjos revela uma história de descobertas. Descobertas de cada membro da família, que envolto em seus segredos, vai tendo a história contada e os trejeitos incomuns justificados por situações vividas.

Este livro, apesar de bem contado, não foi dos que mais me cativou. Muitas vezes a narrativa, apesar de densa, trazia em si um quê de literatura infanto-juvenil que não soube detectar o quê propriamente. ‘A vendedora de fósforos’ não despertou em mim de forma avassaladora e irracional a vontade de ler mais livros de Adriana Lunardi. Talvez pare por aqui na leitura da obra dela.

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