‘A vida privada das árvores’, de Alejandro Zambra

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A Vida Privada das Árvores é o segundo livro publicado pelo escritor chileno Alejandro Zambra. O primeiro, Bonsai  (do qual falei aqui), foi vencedor do prêmio da Crítica e também do prêmio do Conselho Nacional do Livro como melhor romance de 2006 no Chile.

Em A Vida Privada das Árvores, Zambra repete a fórmula bem sucedida do primeiro livro: usa das plantas como pano de fundo para falar sobre solidão, espera e abandono. Mas não entenda o livretinho de menos de cem páginas como uma repetição barata de Bonsai. Longe disso. Zambra se reinventa, cria novas situações e angulações que deixam hiatos e convidam à reflexão sobre os temas trabalhados durante a narrativa.

Li A Vida Privada das Árvores numa manhã cheirosa de chuva e ele sempre terá pra mim cheiro de melancolia e terra molhada. A espera de Julián, professor de literatura e aspirante a escritor, pelo retorno de sua esposa Verónica  do trabalho tem um contorno de desesperança e convida Julián a um recomeço.

A  demora de Verónica faz com que Julián distraia a enteada Daniela com histórias sobre árvores, uma metáfora deles próprios. E contando essas histórias ele rememora como conheceuVerónica, suas jornadas profissionais frustradas e começa, então, a construir um futuro hipotético onde Verónica não exista.

A escrita de Zambra é tão leve que é preciso ter sensibilidade para captar toda a densidade dos temas tratados com tanta suavidade. Uma leitura bonita, ainda que maltrate os sentimentos.

‘Tudo bem, era sem compromisso, como deve ser: ama-se para deixar-se de amar e se deixa de amar para começar a amar outros, ou para ficar sozinho, por um tempo ou para sempre. Esse é o dogma. O único dogma’.

[+] A Vida Privada das Árvores foi traduzido do espanhol para o inglês, francês, holandês, hebraico, sérvio e coreano. Ainda este ano o livro chega à Romênia, China, Japão e Turquia.

[+] Zambra já tem outro livro publicado, mas ainda não traduzido ao português. É o Formas de Volver a Casa.

[+] A edição da Cosac Naify é caprichada. Capa em relevo, bonita, e uma tradução cuidadosa.

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