‘A maçã envenenada’, de Michel Laub

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Que livro! Todas as expectativas que tinha com a leitura de A Maçã Envenenada foram superadas. A segunda parte da trilogia que Michel Laub iniciou em 2011 com Diário da Queda é maravilhosa.

É importante deixar claro que aqui não se deve entender por trilogia a continuação da história que Laub contou em Diário. Em A Maçã Envenenada os personagens são outros, as histórias, idem. O que se mantém é a essência do enredo: o impacto de grandes eventos históricos na vida dos personagens do livro.

Em A Maçã Envenenada Michel Laub trabalhou os temas de morte e sobrevivência. De um lado, o narrador da história, um jornalista de 40 anos, fala de sua juventude, quando era fã de Nirvana e foi impactado pelo suicídio do líder da banda, Kurt Cobain. Nesta parte da narrativa o narrador descreve sua relação com sua primeira namorada, Valéria, a banda cover que eles tiveram do Nirvana, o show da idolatrada banda em São Paulo e o impasse que o narrador viveu sobre abandonar ou não o serviço militar que prestava para ir ao show.

O outro pólo da narrativa se centra em Immaculée Ilibagiza, que sobreviveu a um genocídio em Ruanda ficando escondida em um banheiro com outras sete mulheres. Tem-se então a dicotomia: se em um momento do livro um personagem da história deu cabo da própria vida com certa facilidade, em outro momento Immaculée fez de tudo para preservá-la. Ambas histórias ocorreram em 1994 e se cruzam quando o narrador, já mais velho, entrevista Immaculée, que vai a São Paulo lançar seu livro de memórias do genocídio onde toda sua família fora assassinada. Ela agora é tida como uma espécie de Anne Frank moderna e palestra sobre sua experiência.

Não é o objetivo de Laub sobrepor as narrativas e julgar quem esteve certo – Immaculée ou Kurt Cobain -, mas abordar a lógica (ou a falta dela) presente nas tragédias pessoais e como essas situações-limite influenciam nossas escolhas e modos de ver a vida.

Semelhante ao Diário, neste livro Laub permanece com o estilo de escrita em parágrafos curtos divididos em partes. A Maçã Envenenada teve suas 119 páginas divididas em três partes que não obedecem a uma cronologia.

O livro tem força própria, apesar de não ser tão avassalador quanto o Diário, que também aborda o tema da tragédia. Foi devorado por mim com rapidez no decorrer do domingo. Agora é tentar conter a ansiedade pelo livro que encerará a trilogia.

O título do livro remete a Drain You, uma das faixas do álbum Nevermind, do Nirvana:

 

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