‘Filhos do Fim do Mundo’, de Fábio M. Barreto

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Filhos do Fim do Mundo, do escritor Fábio M. Barreto foi minha ‘incursão’ a uma literatura que nunca foi das mais atraentes pra mim: a literatura de ficção científica. Todo meu repertório dentro desse gênero começa e se encerra em As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury.

Três foram os motivos que me despertaram a curiosidade por Filhos do Fim do Mundo: a possibilidade de sair de dentro do meu lugar comum de leituras, a empatia com o autor, que esteve aqui em Fortaleza para um bate-papo e sessão de autógrafos no Clube do Livro e também porque o personagem principal do livro de estreia de Fábio Barreto era também jornalista.

É a esse jornalista inominado – o ator o chama apenas de Repórter, bem como outros personagens da trama (a Esposa, o Padre, o Governador, o Blogueiro, o Radialista, o Médico…) – que está depositada a responsabilidade de descobrir as causas do fenômeno que assusta a humanidade inteira. Sem explicação aparente, a meia noite de um dia qualquer, todas as crianças, plantas e animais de até um ano de idade estão morrendo. As que ainda haveriam de nascer após este dia, estão nascendo mortas.

Diante do fato, o governo decide interromper a internet e os telefones como forma de não reverberar tumultos enquanto são investigadas as causas da catástrofe. Neste ínterim, o Repórter é enviado pelo jornal onde trabalha para apurar o ocorrido e trazer uma solução viável para o fim do acontecimento. Solução esta que beneficiará diretamente a si próprio, uma vez que sua esposa está prestes a parir o primeiro filho do casal.

Em muitas partes o livro é tenso. A busca do Repórter por respostas se mostra muitas vezes perigosa e desanimadora. E é nesse cenário que Fábio Barreto analisa o comportamento da sociedade. Diante da iminência do fim do mundo, como você reagiria? Conservaria sua fé ou a perderia? Sucumbiria ao egoísmo, à mentira, se aproveitaria da situação para favorecer a si próprio, se omitiria?

Esperei ansiosa pelo final da trama. Mas ao chegar ao fim do livro, fiquei um tanto quanto desnorteada. Depois de retornar algumas páginas e pesquisar um pouco sobre a obra, fez sentido para mim que a intenção de Fábio Barreto talvez nunca tenha sido contar uma história com um final cheio de explicações lógicas. Talvez desde a concepção da história, que se delineou toda sem lugar certo, sem data estabelecida, sem nome de personagens, o autor quisesse que o leitor entendesse que mais do que o porquê dos fatos ele queria incitar a compreensão das consequências destes. A chave de tudo são as perguntas nas entrelinhas da trama, não as respostas que o autor poderia trazer a partir dela.

A falta de nomes definidos a cada personagem é um recurso ousado que Barreto utilizou para facilitar a identificação do leitor com cada uma das personagens. Estes que, sem nome, sem referências, poderiam ser qualquer um de nós.

Foi então que me refiz a pergunta: se o mundo estivesse no fim, qual desses personagens me definiria? Talvez todos os eles.

É diante desta reflexão que a leitura, dividida não em capítulos tradicionais, mais em seis grandes partes, desconcerta e cativa.

[+] Filhos do Fim do Mundo inspirou um curta metragem homônimo, dirigido pelo próprio Barreto, que é também cineasta. O curta pode ser visto aqui:

[+] Fábio Barreto, além de escritor e cineasta, é também jornalista e apaixonado por Ficção Científica. Fundou, em 1999, o fã-clube Conselho Jedi São Paulo, dedicado a Guerra nas Estrelas.

[+] Trabalhou em grandes revistas como Época Rolling Stone, além dos jornais Estadão Jornal da Tarde.

[+] Tem presença online no Twitter e no Facebook. Você ainda pode ouvi-lo no RapaduraCast.

[+] Para conhecer mais do autor, recomendo ouvir a entrevista que por ele foi concedida ao Iradex Podcast.

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2 comentários sobre “‘Filhos do Fim do Mundo’, de Fábio M. Barreto

  1. Na sua educação como amiga do autor você quis dizer que o final do livro é vazio e decepcionante. Foi isso que eu achei , e parece e foi isso que ficou subtendido por você

    • Oi, Letícia! Não sou amiga do Fábio Barreto, só o vi uma vez, num evento na Livraria Cultura. Certamente ele não se recorda de mim por esse dia.
      Não falei muito sobre o final do livro na resenha pra não dar spoiler a quem ainda não leu o livro e ainda pretende fazê-lo. Mas não, não achei o final vazio e decepcionante, e não acredito que tenha deixado isso subentendido no texto. O que achei foi que o final leva o leitor a refletir, e acredito, sim, que o sentido do fim esteja posto durante todo o livro. Achei o final muito simbólico de tudo o que o autor coloca na história inteira.

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