David Foster Wallace no presente

Não consigo falar de David Foster Wallace no passado ainda que neste ano se completem dez desde que ele decidiu ir embora.

DFW enforcou-se em 2008, na garagem de casa, não sem antes escrever uma carta de despedida para a esposa e afagar os dois cachorros de estimação. Morreu rompendo com a produção de uma literatura que foi muito além do comum: enchia os livros de notas de rodapé (quase uma segunda voz narrativa), dominava impressionantemente bem o discurso indireto livre e a ironia. É um autor que me encheu de boas referências e me descortinou uma literatura até desconhecida.

Estranhei DFW na primeira vez que o li na coletânea de contos Breves Entrevistas com Homens Hediondosmas fiquei instigada. Numa pesquisa rápida no Google fiquei impressionada com a legião de fãs brasileiros de Wallace, gente que o lê ainda no original em inglês por não conseguir lidar com a espera infindável das traduções em português que nunca chegavam ao Brasil.

O autor parece ser capaz de toda coisa. Experimentalista, ousado na forma e muito bem humorado, apesar de não ter propriamente a intenção de fazer ninguém rir.

Era imensamente triste, depressivo e ansioso, se medicou a vida inteira. Durante muito tempo fui inconsolável com seu suicídio, achava que ele não tinha o direito de nos furtar de uma literatura tão fora dos padrões. Hoje vejo que DFW fez o que lhe foi possível e nos deixou uma impressão forte. Um importante e denso legado.

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