Três boas leituras em Fevereiro

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Em fevereiro li quatro autoras, quatro autores e uma coletânea de escritores dos dois gêneros em um livro que vou indicar como bônus ao final desse post.

Destaco aqui os três melhores exemplares que li durante o mês que se despediu há dois dias:

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Não consigo falar de O Vendido sem aquele entusiasmo abobalhado característico de tudo o que nos arrebata verdadeiramente. Este livro é das melhores leituras que fiz no ano e quiçá na vida. Uma narrativa extremamente cáustica, mordaz, irônica, mas que também traz uma leveza que só é possível pela maestria do autor em destrinchar a história fora do lugar comum. Paul Beatty, escritor norte americano negro, traz aqui a problemática do racismo e faz reflexões sobre como a sociedade se comporta com o negro. Longe de ser clichê ou previsível, o livro tem a vivacidade da boa literatura contemporânea feita nos Estados Unidos. Me lembrou David Foster Wallace e Thomas Phynchon, dois outros autores que gosto muito e que também têm por característica uma linguagem que consegue transitar entre o pop e o erudito sem perder a mão. O Vendido ganhou o Man Booker Prize, o autor esteve na Flip de 2017 e espero que ele ainda escreva bastante e volte ao Brasil incontáveis vezes.

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Esse livro conta a história de um adultério pela visão de quatro personagens diferentes. Quatro capítulos e quatro narradores. Me pegou pela sofisticação com que a autora tratou um assunto tão banal (tanto na vida quanto na literatura) e saiu do lugar comum com uma elegância e domínio da narrativa que li pouquíssimas vezes. Ana Luísa Escorel ganhou o prêmio São Paulo de Literatura por este livro em 2014. É seu primeiro romance, publicado pela sua própria editora, a Ouro sobre Azul. Escorel é filha de Antônio Cândido, e só posso elogiar o legado literário desta família.

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Este livro de ensaios sobre mansplaining foi um presente de um grande amigo (obrigada, Jáder!) e muito por isso tem um valor sentimental enorme pra mim. Solnit não inventa a roda nem traz nada de novo sobre o tema do feminismo, mas organiza ideias, debate situações e ajuda a articular melhor o discurso. São nove ensaios sobre a problemática do silenciamento da voz da mulher na esfera pública. Gostei bastante porque é um livro que direciona e abre perspectivas pra mais estudos dentro do feminismo.

Bônus:

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50 poemas de revolta é uma coletânea de textos de diversos autores, uns já mortos e outros contemporâneos. Foi maravilhoso ler Drummond e Angélica Freitas no mesmo livro. Mostra o quanto a poesia da atualidade soma ao que já foi produzido. São 34 poemas tratando temas tais como desigualdade social, machismo, racismo, opressão e intolerância. Um livrinho bem livrão e bastante necessário em tempos de golpe e falência institucional.

 

 

 

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