Cantarolando

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Citando

Eu me lembrava daquela coisa tão simples e cândida que Kafka tinha se perguntado certa vez: ‘Será verdade que se pode prender uma garota com a escrita?’. Poucas vezes se expressou com tanta ingenuidade, tanta precisão e tanta profundidade a essência da literatura. E esta é a tarefa que Kafka atribuiria à escrita em geral, e à sua escrita em particular. Porque, ao contrário do que tantos acreditam, não se escreve para entreter, embora a literatura seja das coisas mais divertidas que existem, nem se escreve para isso que chamam ‘contar histórias’, embora a literatura esteja cheia de relatos geniais. Não. Escreve-se para prender o leitor, para assenhorar-se dele, para seduzi-lo, para subjulgá-lo, para entrar no espírito do outro e permanecer ali, para comovê-lo, para conquistá-lo…’

(Enrique Vila-Matas em ‘Não há lugar para a lógica em Kassel’)

Vizinhança

Tenho andado em outras casas.

No Pauta Livre News eu resenhei ‘Lições’, a mais nova HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi no projeto Graphic MSP.

Na Revista Nonata eu falei sobre minha experiência com Adeus à linguagem, o novo filme do Godard e também comentei minha leitura de O Homem-Mulher, do grande Sérgio Sant’Anna.

Ainda na Nonata tenho assinado a coluna Litisconsortes, que fala de relacionamentos afetivos e meia dúzia de outras coisas.

 

Citando

E ele ficava feliz de estar morando ali com a mulher que amava tanto, ali perdidos e corajosos no seu isolamento. Logo ele voltava  para a cama e o fato de ter a mulher ali com ele vencia todos os seus sobressaltos e medos. E era uma coisa que ele descobria com a própria experiência. Amar – amar muito – tornava as pessoas senão indestrutíveis, pelo menos cheias de bravura.

(Sérgio Sant’Anna em ‘Eles Dois’, conto do livro ‘O Homem-Mulher’)